Em dez anos, Irã importou US$ 154,9 milhões da região de Ribeirão Preto

Reportagem: Cristiano Pavini/Farolete

O Irã importou, entre 2010 e 2019, US$ 154,9 milhões (sem correção inflacionária) em produtos dos municípios da Região Metropolitana de Ribeirão Preto. A compra de açúcar representou 94% desse total, principalmente de usinas localizadas em Morro Agudo, Pradópolis, Jaboticabal e Guariba.

Os dados foram levantados pelo Farolete no Comex Stat, portal do Governo Federal que consolida estatísticas do comércio exterior.

A tensão está elevada no país do Golfo Pérsico, de 81 milhões de habitantes, após os Estados Unidos assassinarem, em uma operação realizada no Iraque no dia 3 de janeiro, o general Qasem Soleimani, considerado o segundo homem mais poderoso do país (saiba mais nessa matéria da BBC).

Veja o montante exportado ao Irã pela Região Metropolitana na última década:


os Estados Unidos são o maior parceiro comercial da Região Metropolitana de Ribeirão Preto. No mesmo período, o país importou US$ 1,4 bilhão, principalmente em bebidas, açúcar e papel.

Apesar de não ser um dos principais compradores, o Irã não pode ser menosprezado: em 2019 ele foi o 36º maior importador de produtos da Região Metropolitana, com US$ 14,6 milhões, à frente de países como Uruguai (US$ 11,4 mi), Itália (US$ 10,9 mi) e Portugal (US$ 7 mi).

A diferença, porém, está na diversificação. No ano passado, praticamente toda a relação comercial do Irã com a Região Metropolitana se deu pela compra de açúcar produzido em Guariba.

Já a Itália e Portugal tiveram relações comerciais superiores a US$ 100 mil com seis cidades. O Uruguai, com 11 cidades. As compras vão de papel e ferro a fertilizantes e produtos farmacêuticos.

Nos últimos dez anos, o município de Ribeirão Preto vendeu US$ 1,3 milhões aos iranianos. O principal produto são aparelhos para medicina, odontologia e veterinária. No ano passado, porém, o ritmo diminuiu e as empresas do município exportaram apenas US$ 78 mil ao país do Golfo Pérsico.

Navegue pelo infográfico interativo abaixo para saber o que o Irã comprou, no consolidado de 2010 a 2019, de cada município da região:


Análise

Luciano Nakabashi, professor da Faculdade de Economia e Administração da USP-RP (FEA) com pesquisas relacionadas à Conjuntura Econômica e Comércio Exterior, explicou ao Farolete que uma eventual guerra “pode afetar as relações comerciais”, em razão do desequilíbrio na economia do país.

Ele ressalta, ainda, que os comentários do presidente Jair Bolsonaro (demonstrando apoio aos EUA) “tem o potencial de estar causando tensões e quebras de relações comerciais”.

O professor ressalva, porém, que o açúcar é uma commodity com preço determinado pelo mercado internacional. Os municípios exportadores, assim, poderiam ser impactados inicialmente, mas a médio ou curto prazo conseguiriam direcionar para outros países.

Ele aponta que esse comércio é feito por grandes empresas, com diversificação no mercado internacional. “Não importa muito para onde é o destino [do açúcar], por ser uma commodity. No primeiro momento [uma eventual guerra] pode afetar, mas é relativamente fácil de alocar o produto para outras regiões”.


TOP 5

Em 2019, os 34 municípios da Região Metropolitana de Ribeirão Preto exportaram, juntos, US$ 1,8 bilhão (equivalente a R$ 7,4 bilhões). Os números são parciais, pois os dados de dezembro ainda podem ser atualizados até o dia 10 de janeiro.

Os cinco maiores compradores da região são: Estados Unidos, China, Arábia Saudita, Rússia e Bangladesh.

Navegue pelo infográfico abaixo para saber quanto cada um desses cinco países comprou dos municípios da região metropolitana no ano passado.

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